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Com apoio do Governo do Estado, Mato Grosso do Sul entra na corrida das agtechs com ecossistema voltado ao agro do futuro

O agronegócio brasileiro já lidera a produção mundial de alimentos em diversas cadeias, mas agora busca avançar para uma nova fronteira: a da inovação tecnológica. É nesse cenário que foi lançado nesta segunda-feira (1º) o AgroValley MS, um novo ecossistema de aceleração de startups voltado ao desenvolvimento de soluções para o agro tropical brasileiro.

A iniciativa é liderada pela VivaTerra Ventures, gestora recém-criada que pretende investir até R$ 150 milhões em startups do setor e que atualmente está em fase de captação de seu primeiro fundo de investimentos. O projeto nasce em parceria com a Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), a Fundação MS e o Governo de Mato Grosso do Sul, além de contar com o apoio tecnológico do Google Cloud.

A proposta é conectar startups, produtores rurais, pesquisadores e investidores para acelerar o desenvolvimento de tecnologias ligadas à inteligência artificial, robótica, análise de dados, biotecnologia e agricultura de baixo carbono.

Segundo Riedel, a transformação digital já começa a produzir resultados tanto na educação quanto no campo

Durante o lançamento, o governador Eduardo Riedel, acompanhado do vice-governador José Carlos Barbosa (Barbosinha), destacou que a criação do AgroValley MS representa o resultado de uma estratégia construída a partir de políticas públicas voltadas à inovação, à educação e ao fortalecimento de um ambiente favorável aos investimentos. “A gente trabalha no dia a dia com a política pública para buscar esse tipo de resultado. O mínimo que a gente pode fazer é gerar esse ambiente institucional positivo, transparente, aberto e que apoia diversas iniciativas da política pública e ações de formação”, afirmou.

Segundo Riedel, a transformação digital já começa a produzir resultados concretos em Mato Grosso do Sul, tanto na educação quanto no campo, aproximando tecnologia, gestão pública e produção agropecuária.

“No evento “Raízes do Futuro”, uma parceria com o Google, a gente pôde trazer para cá produtos concretos, objetivos, sérios e plurais. Um produto importante que muda também a chave do nosso sistema produtivo. Algo que pode parecer simples, e é, enquanto não se tem. No dia a dia da operação dos produtores rurais, muitas vezes o endereço é algo difícil de explicar. A tecnologia resolve de uma maneira simples aquilo que antes era um problema e coloca isso de maneira unificada para todas as políticas públicas”, destacou.

O governador ressaltou ainda o impacto da tecnologia na formação de estudantes e profissionais preparados para as novas exigências do mercado de trabalho. “Ter esse ecossistema disponível para os nossos alunos e professores nas escolas vai formar profissionais com outro perfil de preparo para a vida pessoal e para o mercado. É um tipo de apoio que será cada vez mais demandado”, observou.

Ao comentar a criação do AgroValley MS, Riedel avaliou que a iniciativa nasce conectada aos principais atores do agronegócio e da inovação. “A AgroValley nasce com o pé direito ao convocar pessoas que conhecem profundamente o agro brasileiro, desde a tecnologia de produção até o ambiente institucional e de mercado. É muito importante ter pessoas que acompanharam as transformações do setor participando desse projeto”, disse.

O governador também contextualizou o momento de crescimento vivido por Mato Grosso do Sul nas últimas décadas, destacando a diversificação da produção e o avanço da industrialização.

Já de acordo com o secretário da Semadesc, Artur Falcette, iniciativas como o AgroValley MS reforçam a estratégia adotada por Mato Grosso do Sul de construir um ambiente institucional capaz de conectar poder público, iniciativa privada, universidades e investidores em torno da inovação e do desenvolvimento.

Falcette também ressaltou a importância de apoiar projetos de base tecnológica ligados às universidades e centros de pesquisa

“São momentos como esse que nos fazem ter certeza de que criar esse ambiente institucional que a gente tem no Mato Grosso do Sul é uma estratégia do governador muito acertada”, afirmou.

Segundo Falcette, um dos diferenciais percebidos por investidores e empresários que chegam ao Estado está justamente na capacidade de transformar projetos em iniciativas concretas por meio da articulação entre diferentes setores.

O que eles enxergam quando olham para Mato Grosso do Sul é justamente esse ambiente institucional, a capacidade que a gente tem de transformar projetos em realidade.

Falcette também ressaltou a importância de apoiar projetos de base tecnológica ligados às universidades e centros de pesquisa, especialmente aqueles voltados à inovação aplicada ao agronegócio.

“A importância desse nosso olhar para projetos e ideias, especialmente quando a gente vai para a tecnologia, é fundamental. Quando vemos um projeto como esse surgir dentro das nossas universidades, com uma participação muito grande das universidades públicas nessas iniciativas, temos a certeza de que estamos caminhando no sentido correto”, avaliou.

Em Campo Grande, o AgroValley MS contará com uma estrutura de aproximadamente 1.000 m², destinada à incubação e aceleração de empresas inovadoras, realização de bootcamps, programas de inovação, demonstrações tecnológicas e eventos voltados ao setor agropecuário. O espaço foi concebido para funcionar como um ambiente de conexão entre ciência aplicada, capital de risco e validação de tecnologias em condições reais de produção agropecuária.

A operação será organizada em três frentes principais: incubação de startups em estágio inicial com base científica, programas de tração para empresas que precisam validar soluções no campo e aceleração comercial para negócios que já possuem receita e buscam ampliar sua escala de atuação.

Para o fundador da VivaTerra Ventures, Rafael Vila Marques, o lançamento do AgroValley MS representa mais do que uma agenda institucional. Segundo ele, trata-se do início de uma trajetória voltada à construção de um novo ambiente de inovação para o agronegócio brasileiro.

Rafael destacou que fatores como inteligência artificial, automação e consolidação de mercados devem acelerar mudanças profundas no campo

“Hoje não marca uma agenda. Isso marca o início de uma trajetória, uma trajetória que vai ser construída com a ajuda de todos que compartilham com a gente uma visão de futuro. Uma visão que entende que o agronegócio é algo representativo dentro do PIB brasileiro e que a gente constata que o capital de risco colocado para esse tipo de setor é baixo”, afirmou.

De acordo com o empresário, embora o agronegócio represente quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a incorporação de novas tecnologias ainda apresenta amplo espaço para crescimento.
“O resultado do agronegócio representa quase 30% do PIB brasileiro, sendo que a evolução da tecnologia ainda é baixa. Estamos falando de produtores que ainda utilizam pouca tecnologia e de uma grande janela aberta para a evolução tecnológica e para a transformação que o setor está passando”, observou.

Rafael destacou que fatores como inteligência artificial, automação e consolidação de mercados devem acelerar mudanças profundas no campo ao longo da próxima década.

“A gente acha que daqui a dez anos esse mercado estará com uma visão de futuro muito bem construída. É por isso que neste momento é importante se posicionar aqui dentro”, ressaltou.

Segundo ele, a VivaTerra Ventures busca atuar como uma ponte entre capital, conhecimento e inovação, conectando investidores, universidades, institutos de pesquisa, estudantes e startups.
O empreendedor também enfatizou a necessidade de transformar o conhecimento acumulado pelo setor produtivo em soluções tecnológicas capazes de alcançar mercados internacionais.

Potencial de crescimento

O lançamento ocorre em um momento em que o agronegócio brasileiro apresenta forte expansão, mas ainda recebe uma parcela reduzida dos investimentos destinados ao ecossistema nacional de startups.
Levantamento da Liga Ventures aponta que as agtechs brasileiras captaram aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos de venture capital em 2024, distribuídos em 39 operações. No mesmo período, as fintechs receberam cerca de R$ 3,9 bilhões em 50 rodadas de investimento, quase quatro vezes mais recursos.

A concentração geográfica também chama atenção. Segundo o Radar Agtech Brasil, menos de 5% das startups voltadas ao agronegócio estão instaladas na região Centro-Oeste, enquanto o estado de São Paulo concentra 44% dessas empresas.

A expectativa dos idealizadores é justamente reduzir essa distância, aproveitando a força produtiva da região para criar um ambiente favorável à inovação.

Agro em transformação

Os números do setor ajudam a explicar o interesse crescente por novas tecnologias. Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e da Embrapa mostram que a produção brasileira de grãos saltou de 38 milhões de toneladas em 1975 para 350,2 milhões de toneladas na safra 2024/25. No mesmo período, a produção de soja avançou de 15 milhões para 167,4 milhões de toneladas.

 avanço tecnológico também foi determinante para o aumento da produtividade. Entre 1975 e 2017, o rendimento médio das lavouras cresceu 346% no trigo, 317% no arroz e 270% no milho, segundo a Embrapa. Além disso, a participação da tecnologia no valor da produção agropecuária brasileira passou de 50,6% na década de 1990 para 60,6% em 2017, conforme dados do Ministério da Agricultura, Ipea e IBGE.

Centro-Oeste como referência global

De acordo com a VivaTerra Ventures, o agronegócio de Mato Grosso do Sul movimenta mais de R$ 120 bilhões por ano, criando um ambiente favorável para o surgimento de soluções voltadas à produtividade, rastreabilidade, crédito de carbono, sustentabilidade, bioeconomia, bem-estar animal e agricultura regenerativa.

A estratégia da gestora é posicionar o Centro-Oeste como uma referência internacional em tecnologia para regiões tropicais, utilizando os biomas Cerrado e Pantanal como ambientes de validação de soluções capazes de serem replicadas em diferentes países.

Parceria com a UEMS

Em abril deste ano, a Uems formalizou um acordo de cooperação técnica com a VivaTerra Ventures, com vigência até 2031. A parceria integra a universidade ao AgroValley MS e busca aproximar estudantes, pesquisadores, laboratórios e empreendedores dos desafios do agronegócio contemporâneo.
Segundo o reitor da UEMS, Laércio Alves de Carvalho, o lançamento do AgroValley MS simboliza um momento histórico para a universidade, para a ciência e para o ecossistema de inovação de Mato Grosso do Sul.

Laércio também ressaltou a parceria firmada com o Google, voltada à transformação digital da educação, e apontou que o AgroValley MS surge como mais uma etapa na construção de um ambiente integrado de inovação.

A iniciativa prevê ações como mentorias, hackathons, pesquisas aplicadas, formação de talentos e desenvolvimento de soluções inovadoras

“Tivemos esse convênio maravilhoso com o Google, que transforma a rede de crianças e jovens, levando tecnologia para as escolas, para a rede e para as universidades. E agora, à noite, coroamos esse ecossistema”, observou.

Para o reitor, iniciativas como o AgroValley MS criam as condições necessárias para que boas ideias saiam das salas de aula, ganhem escala e se transformem em soluções capazes de gerar impacto econômico e social.

“Esse ecossistema permite que projetos nascidos dentro das universidades encontrem apoio, estrutura e oportunidades para se desenvolver. É exatamente esse ambiente que queremos fortalecer em Mato Grosso do Sul”, concluiu.

A iniciativa prevê ações como mentorias, hackathons, pesquisas aplicadas, formação de talentos e desenvolvimento de soluções inovadoras, fortalecendo a conexão entre conhecimento acadêmico e demandas reais do setor produtivo.

Alexandre Gonzaga, Comunicação do Governo de MS
Fotos: Bruno Rezende